• 10 de julho, 2019

UX Design: Como desenvolver produtos que as pessoas amem?

Para descobrir a verdadeira fórmula de como desenvolver produtos que fazem os usuários se apaixonarem, se tornarem fiéis consumidores e indicadores, é preciso começar a entender o processo de desenvolvimento. O profissional de design é o responsável por pensar nestes objetivos e coordenar essas estratégias. Você sabe de fato a importância deste especialista?

O designer e seu time pensam em cada detalhe durante o desenvolvimento de um produto. As cores, efeitos, texturas, formas e funcionalidades são exemplos fundamentais da criação funcional e estética. E elas devem estabelecer conexões emocionais, ou seja, despertar o olhar do usuário para sentimentos com desejo, atração e satisfação.

Estudos sobre neurologia e comportamento humano são essenciais durante o planejamento de um designer. O UX Designer (User Experience ou Designer da Experiência do Usuário) é especialista em desenvolver produtos alinhando emoções e impactos do usuário. Existem inúmeras pesquisas relacionadas a este tema, vamos aqui destacar exemplos de como o resultado de estudos neurais e comportamentais interferem diretamente no desejo humano de adquirir certos produtos.

Os neurologistas provaram em seus estudos que os seres humanos são movidos pela emoção e não pela razão. Então a paixão por um produto é muito mais valorizada na hora da compra, por exemplo, a maioria da população acaba consumindo com a mente e com o coração. As pessoas buscam usar a lógica: “o que tal produto oferece?”, mas acabam tomando a decisão emocional na hora da compra “prefiro este produto, me sinto bem com ele”.

Portanto ignorar as verdadeiras emoções dos consumidores é um exemplo de como não obter sucesso. É importante que possamos compreender as diferentes realidades dos consumidores, suas emoções, envolver cada uma delas e exprimir na hora de desenvolver um projeto.
Você pode estar se questionando sobre que tipo de emoções estamos falando. Alegria, surpresa, repulsa são exemplos de emoções primárias que as pessoas tendem a ter, e estas são consideradas breves e intensas, podendo vir a ser voláteis. Como emoções secundárias citamos o amor, a dúvida, o desejo, responsáveis por alinhar cérebro e coração. Essas são as que fazem o cliente se fidelizar ao produto e se apaixonar por ele.

Em “Princípios Universais do Design”, de William Lidwell, Kristina Holden e Jill Butler, está documentado um estudo sobre a tendência humana a preferir objetos com contornos a objetos pontiagudos.

https://www.quartoknows.com/blog/quartocreates/principles-of-design-contour-bias

Exemplos extraídos do livro “Princípios universais do design” sobre pesquisa pela “preferência pelo contorno”.

Segundo a pesquisa, foi constatada a rejeição de algumas pessoas por objetos que possuem ângulos agudos, estes chamam mais atenção e provocam uma reação de detecção de ameaça gerada pelo subconsciente. Este sentimento é totalmente relacionado a vida primitiva, onde o ser humano descobriu a capacidade de produzir armas e outros artefatos cortantes ou perfurantes. Já os objetos com contorno causam mais impressões estéticas e emocionais positivas. Vale lembrar que não é uma regra, podemos destacar por exemplo, os sapatos do modelo scarpin. Eles são pontiagudos, angulares e causam extremo desejo de poder entre mulheres.

Destacamos também o iPhone, um dos smartphones mais vendidos dos últimos tempos, causa desejo entre as pessoas não só pelo desempenho tecnológico, mas também pelo desenho, senso estético e sua boa ergonomia que foi se aprimorando ao longo do tempo. Neste senso estético, a Apple utilizou as cores para despertar a sobriedade e sofisticação, sempre variando entre Grafite, Dourado, Prateado ou Rosé. Quando mal planejadas, as cores podem fracassar, como no caso do iPhone Color 5c, que não agradou e foi rapidamente descontinuado.

Modelo iPhone 6s em cores.

Nas interfaces digitais não é diferente. Para nós aqui na Usabit, este sentimento de emoção e relação afetiva também é explorado na criação de telas. Precisamos ser sensíveis para entender como agregar o desejo do contratante, com o estímulo que queremos provocar no usuário, no intuito de cativá-los e fidelizá-los.

Cartão e aplicativo Nubank

Um excelente exemplo de produto digital dentro do que estamos falando hoje é o aplicativo do Nubank. Além de conter funções extremamente funcionais de um banco online, ele fala de uma forma visual única e efetiva. Seu tom de roxo inconfundível caiu no gosto dos clientes pela autenticidade visual, comportamental e funcional que o produto oferece. Todos querem o “cartão roxinho”.

Preparamos este texto para te despertar sobre os sentimentos causados pelas formas visuais. Concluímos que o profissional de design começa o seu processo criativo antes da sua projeção. Colhendo informações empíricas dos seus públicos, aplicando pesquisas que agreguem valor emocional e desejo pela aquisição. Como afirma o neurologista canadense Donald Calne “A diferença entre a emoção e a razão é que a primeira leva a ação, enquanto a segunda leva a conclusões”. Portanto, para fazer pessoas amarem seus produtos, é preciso atrair pelo visual, tocar o emocional e ter qualidade na entrega para que o usuário se torne fiel ao seu produto.

Cléo Soares

Cléo Soares

Olá, sou graduada em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas e Jornalismo, pós graduada em Gestão Empresarial pela FGV, atuando como Analista de Marketing da Usabit.