• 12 de agosto, 2019

O Gmail é realmente de graça?

O Google não tem olhos, mas ele tudo vê. Os sites que visitamos, a frequência e o tempo que ficamos em cada um. Em qual idioma procuramos, o horário que navegamos, com quem conversamos, quais vídeos nos agradam, quais músicas escutamos… sabe até quando estamos dormindo! Ele nos conhece bem, nossas preferências e nossos costumes. 

Uma das três empresas mais valiosas do mundo, o Google se tornou uma desenvolvedora de produtos com foco corporativo. O curioso é que mesmo tendo esse foco, ele não deixou de se importar e valorizar pessoas. E este sempre foi o diferencial do gigante das buscas, ouvir as dores dos usuários e trazer para seu dia-a-dia soluções funcionais.

Google um das três empresas mais valiosas do mundo.

Quando era “apenas” um site de busca, o Google começou a ouvir seus colaboradores, que reclamavam de seu provedor de e-mail. Naquela época os e-mails tinham um número limitado de memória em sua caixa de entrada. Então pensaram: Por que não criar um webmail que tivesse maior capacidade de  armazenamento? 

Foi nessa época que o Gmail nasceu, com incríveis 1GB de memória enquanto as concorrentes ofereciam insignificantes 5MB. Esse armazenamento limitado obrigava os usuários a manter suas caixas de entrada sempre limpas. Enquanto Yahoo e Hotmail ofereciam plataformas mais lentas, o Gmail inovava com uma tecnologia que prometia acelerar os processos. Quando as pessoas viam que o Gmail cumpria o prometido, elas sentiam o desejo de obter uma conta de forma gratuita na plataforma. 

No ano de 2004, bem no início do serviço de webmail, o Gmail tinha o costume discreto de ler as mensagens dos seus usuários. Esse rastreio possibilitava que o Google conhecesse de maneira mais pessoal quem fazia parte da sua rede e, por consequência, colhia os dados que eles compartilhavam. Por mais discreto que fosse esse procedimento, o excesso de anúncios evidenciava a prática, o que despertou a curiosidade dos usuários quanto à invasão de privacidade. 

A ferramenta de publicidade do Google, o Adwords (agora apenas ‘Ads’), já coletava dados de buscas para entregar melhores anúncios relativos ao interesse dos usuários. E, somado aos dados originados do Gmail, tornaram-se, juntos, os grandes responsáveis pelo faturamento da empresa.

Por colher informações de forma velada, gerando relatórios e vendendo propagandas com base nessas informações o Google foi acusado em 2013, de invadir a privacidade dos seus usuários. Mesmo tendo se posicionado contrária as acusações, a empresa teve que reeditar seu Termo de Privacidade. Essa atitude “tranquilizou” alguns usuários mas não alterou a execução do seu trabalho de colheita comportamental.

Hoje o Google tem inúmeros produtos, que atendem grande parte da população mundial. Além do Gmail, arquivo de fotos, mapas, navegador, tradutor, organizador pessoal e profissional, nuvem e muitos outros, todos autorizam o Google a conhecer e colher seus dados. Basta aceitarmos seus nunca lidos Termos de Uso. O estudo em cima de quem somos serve de base para que os espaços publicitários sejam oferecidos para as empresas de acordo com os públicos específicos, tornando-a mais barata, assertiva e lucrativa para ambos os lados, fazendo com que o Google tenha um lucro líquido de U$ 30,74 bilhões em 2018.

Mesmo tendo colhido dados desta forma, o Google não é um vilão. Pelo contrário, se um dia falhou desrespeitando nossa privacidade, se retratou e tem contribuído desenvolvendo produtos que facilitam nossas vidas. É evidente que o Google cresce pela  troca informações, pois te dá textos e notícias relevantes ao que está buscando. Em troca, te conhece a fundo e oferece para seus anunciantes clientes específicos em potencial. Sim, essa forma de trabalho custa sua privacidade, que é cada vez mais comercializada.  

Estratégia digital de links patrocinados do Google.

Ao longo dos anos de estudo e coleta de dados, o Google viu a necessidade de unir os dois serviços (Ads e busca) para anunciantes e lançou no final de 2018 o Google Marketing Platform, uma ferramenta que vai de encontro ao novo comportamento de compra do usuário. Ela foi criada para ajudar o profissional de marketing a planejar, comprar, avaliar e otimizar a mídia digital e as experiências dos clientes em um só lugar. De quebra, essa nova plataforma de marketing garante o respeito à privacidade de seus clientes e controle sobre os dados deles. Com essa ferramenta, o Google facilitou o trabalho colaborativo, automatizando processos e otimizando campanhas.

Como vimos, o Google é rico pois detém dados de comportamento das pessoas. Este é o preço pago para utilizar tudo que ele tem a nos oferecer. A cada novo produto que o Google cria para facilitar nossas vidas, novos milhares de seres humanos começam a utilizar e, automaticamente, fornecer dados ao Google. É desta forma que seu processo de coleta fica mais rico e detalhado.

Esta história de empreendedorismo e crescimento é motivadora e serve para te mostrar a importância dos dados para o seu negócio. Através das ferramentas do Google, você pode encontrar clientes em potencial de forma mais eficaz investindo menos dinheiro. Com a análise de dados, você pode aperfeiçoar seu negócio, reduzindo custos operacionais. De uma forma ou de outra, utilize os dados de comportamento de pessoas a seu favor. E, se precisar de uma ajudinha com tudo isso, a Usabit está aqui.

Cléo Soares

Cléo Soares

Olá, sou graduada em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas e Jornalismo, pós graduada em Gestão Empresarial pela FGV, atuando como Analista de Marketing da Usabit.